----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Encontro Internacional da Governança da Água: Desafios Interdisciplinares



Entre os dias 7 e 9 de novembro de 2011, será realizado, em São Paulo, o 3º. Encontro Internacional da Governança da Água: Desafios Interdisciplinares. O evento, que será realizado pela Universidade de São Paulo, visa colocar em debate temas transversais e interdisciplinares na governança da água.

A ênfase é nas questões associadas com: segurança hídrica e vulnerabilidade; água e pagamento de serviços ecossistêmicos; inovação na governança da água; e mudança climática, desastres naturais e comunicação de risco. Todos estes temas serão abordados por pesquisadores nacionais e estrangeiros em quatro mesas-redondas com abordagens interdisciplinares.

A problemática em relação à governança dos recursos hídricos envolve uma multiplicidade de questões que precisam ser articuladas para se propor políticas públicas efetivas, pautadas por base conceitual, que garantam a participação dos diversos atores, tanto do poder público como da sociedade civil, no entendimento de uma visão integrada para ampliar a sua capacidade de informação e atuação.

É nesse sentido que este evento busca aprofundar e compartilhar os diversos conhecimentos das ciências, numa visão interdisciplinar, para desenvolver estudos e ferramentas conceituais.

SERVIÇO:


O quê: 3º. Encontro Internacional da Governança da Água: Desafios Interdisciplinares;
Quando: De 7 a 9 de novembro de 2011;
Local: Auditório Mário Covas, da Escola Politécnica da USP;
Endereço: Av. Prof. Luciano Gualberto, Travessa 3380, Cidade Universitária – São Paulo (SP) ;
Mais informações e inscrições: Pelos telefones (11) 3091-3330 e (11) 3091-3235

Empresas participam de aplicação-piloto dos Indicadores Ethos



Como parte do processo de revisão da ferramenta, empresas fazem uma aplicação-piloto de sua Versão Intermediária, em oficinas no Rio e em São Paulo.

Dando continuidade ao processo de revisão dos Indicadores Ethos – 3ª. Geração, o Instituto Ethos realizou a Oficina de Abertura para Aplicação-Piloto, que reuniu empresas de diferentes portes e setores para discutir e aplicar a Versão Intermediária da ferramenta. Essa etapa está inserida no processo de revisão dos Indicadores Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, com o objetivo de verificar a aplicabilidade da nova versão, identificar necessidades específicas e questões que precisem ser incorporadas ao instrumento ou ao processo de desenvolvimento da nova geração, bem como reconhecer padrões comuns às empresas, considerando os variados perfis e contextos, e fazer uma avaliação sobre a ferramenta e sua funcionalidade.

A oficina foi realizada inicialmente com dois grupos de empresas, um em São Paulo, no dia 4 de outubro, e outro no Rio de Janeiro, em 6 de outubro, reunião que contou com o apoio da Unimed Rio. Os encontros permitiram às empresas alinhar seus conhecimentos sobre a Versão Intermediária e validar a metodologia de aplicação sugerida pelo Instituto Ethos.

Nas duas oportunidades, a oficina se iniciou com uma discussão entre os os participantes sobre como os conceitos apresentados no questionário poderiam ser aplicados no dia a dia das empresas. Essa discussão levantou os subsídios necessários para a segunda parte da oficina, durante a qual os representantes das empresas fizeram a aplicação dos Indicadores com base em um estudo de caso fictício e discutiram a metodologia de aplicação.

As empresas participantes terão até o dia 18 de novembro de 2011 para enviar suas respostas ao Instituto Ethos e então receber seus relatórios de diagnóstico. Na devolutiva dos resultados, cada empresa se reunirá com a equipe do Ethos para apresentar suas críticas, sugestões, dificuldades e percepções. A partir desses comentários, será elaborado um relatório consolidado sobre o processo de aplicação-piloto, que contribuirá para Versão Final dos Indicadores Ethos – 3ª. Geração.

A Versão Intermediária foi lançada em agosto de 2011, durante a Conferência Ethos, e as empresas tiveram até o dia 9 de setembro para manifestar o desejo de participar da aplicação-piloto agora realizada. Novas oportunidades surgirão ao longo do processo de revisão, sempre divulgadas no site do Instituto Ethos.

Pela equipe de Gestão Sustentável - Ethos

Agenda brasileira para a economia verde



O Vitae Civilis, incentivado pela Green Economy Coalition, realiza uma série de encontros a fim de produzir propostas para a construção da economia verde.

Economia verde é um conceito que carrega muitas dúvidas e ainda deixa a sociedade confusa. Na busca por um consenso entre os atores envolvidos, além de esclarecimentos sobre o que é mito e o que é realidade, o Instituto Vitae Civilis, com apoio da Green Economy Coalition, entidade que reúne uma rede de empresas e organizações, realizou uma série de encontros chamados Diálogos Nacionais.

A partir desse trabalho, foi produzido um documento, apresentado no dia 19 de outubro de 2011, que representa a agenda essencial brasileira rumo à economia verde. O texto traz propostas de engajamento para dez eixos, tratados transversalmente:
• Produção Orgânica e Agroecológica;
• Práticas Sustentáveis;
• Fórum Trinacional (Brasil, Argentina e Paraguai);
• Produção, Consumo e Relações de Trabalho;
• Políticas Públicas para a Amazônia;
• Comunicação e Acesso à Informação;
• Planejamento e Controle do Uso do Solo;
• Planejamento Energético;
• Resíduos Sólidos; e
• Sociedades Sustentáveis.

Traz ainda um quadro de propostas de ações e alertas. “Dentro dessa lógica, queremos colaborar para que decisões políticas absurdas não aconteçam, como a redução do imposto sobre produtos industrializados (IPI) para fabricantes de veículos, sem nenhuma contrapartida socioambiental”, disse Aron Belinky, do Vitae Civilis.

Por ser uma definição complexa, desde o início houve a preocupação em construir conjuntamente conceitos, princípios, perspectivas (de que maneira olhar e pensar a economia verde) e prioridades. A partir daí, chegou-se a um “quadro referencial” que juntou em um único documento todas essas informações. Para isso, foram realizados diversos encontros paralelos. “Se na Conferência Ethos discutia-se a economia verde, estávamos presentes; se a discussão ocorria na FGV, íamos para lá; e por aí foi”, relatou Belinky.

O documento final apresenta propostas prioritárias e de ações, como o incentivo à agricultura a partir da produção familiar e orgânica. “Para isso, teremos de encurtar a distância entre produtor e consumidor e dar mais apoio técnico e financeiro para os produtores”, explica. Todas as outras prioridades estão atreladas a uma série de ações.

A agenda é pública e representa um guia prático de orientações que podem ser seguidas pelos envolvidos. “Nós oferecemos a agenda com informações, mas dependemos da motivação da sociedade para a implementação. Nossa responsabilidade é fazer a agenda e disseminá-la”, pondera o coordenador do Vitae Civilis.

O documento será consolidado e colocado à disposição da sociedade dentro de um mês.

Fonte: Ludmila do Prado (Envolverde), para o Instituto Ethos

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

EDIÇÃO 24 - ESPAÇO SUSTENTANDO

Outdoor verdinho

Em uma ação de publicidade em parceria com a ONG WWF (World Wildlife Fund), a Coca- Cola colocou nas ruas da cidade de Makati, nas Filipinas, um outdoor vivo, feito com mudas de Fukien (planta conhecida como Camona no Brasil). A planta é conhecida pela sua alta capacidade de absorver a poluição atmosférica, diminuindo a quantidade de CO2 no ar. De acordo com a empresa, cada muda usada no outdoor é capaz de absorver 6 kg de CO2 ao ano, o que dá um resultado de absorver 21,6 toneladas de CO2 da atmosfera em 12 meses. A iniciativa simbólica faz parte do programa Live Positively, promovido pela marca desde 2008 em todo o mundo, realizando atividades que façam a população refletir sobre o problema das mudanças climáticas. Nesse outdoor, as plantas foram colocadas em garrafas pets usadas e a irrigação foi feita com um sistema que economiza água e libera fertilizante orgânico para as plantas.


Um novo uso para o vento

Além da energia eólica, já implantada em algumas regiões do Brasil, o vento pode trazer, nos próximos anos, mais um recurso para a população: o fornecimento de água potável. A Eole Water, empresa de origem francesa, foi a responsável pela criação de uma turbina eólica que extrai a umidade do ar e a transforma em água potável. Para conseguir isso, a turbina condensa a água presente no vento, e depois um mecanismo a filtra, para que o produto final seja próprio ao consumo. As turbinas já foram testadas em Abu Dabi, nos Emirados Árabes, onde a umidade do ar é sempre baixa e as turbinas produziram cerca de 250 litros de água potável por dia em cada turbina. A tecnologia já está chegando ao Brasil e a expectativa aqui é que as turbinas produzam uma média de 1500 litros de água por dia.


Arte sustentável

O Contemporânea Art Paraty – Festival Internacional das Artes Visuais – que aconteceu na cidade de Paraty, no estado do Rio de Janeiro entre os dias 29 e 31 de julho, mostrou seu lado de responsabilidade ambiental. Toda a sua estrutura foi pensada baseada na sustentabilidade e no reaproveitamento de materiais. Com isso, todos os estandartes usados nas ruas da cidade para divulgação do festival foram feitos em tecido de PET reciclado, assim como as sacolas-brindes distribuídas no evento. Além disso, em todos os materiais do evento foram usadas tintas sem solventes e as madeiras usadas têm certificado de reflorestamento. Para fechar com chave de ouro, a organização do evento fechou uma parceria com a Associação Tangará Mirin para a coleta e reciclagem de todo o lixo recolhido durante o evento, não deixando resíduos pela cidade e contribuindo para a manutenção da natureza.


Itaipu é top em sustentabilidade

A Itaipu foi a grande ganhadora do prêmio Benchmarking 2011, que lista as melhores práticas de sustentabilidade do país. Com o case “Gestão para a sustentabilidade no espaço rural”, a empresa chega ao topo dessa lista pela segunda vez nos últimos quatro anos e desbancou grandes concorrentes como Embratel, Wall-Mart, Pepsico e Klabin. O programa desenvolvido pela Itaipu beneficia mil agricultores de 29 municípios, trabalhando com agricultura orgânica, agricultura familiar, diversificação de culturas, turismo regional e agroindústria. Os agricultores estão organizados em 22 associações de produtores orgânicos e obtêm renda praticando uma atividade que preserva o solo, sem aplicação de agrotóxicos, e os recursos naturais. O prêmio Benchmarking está na sua 9ª edição e já selecionou mais de 220 cases de sucesso na área de sustentabilidade em todo o país, construindo um banco de dados de livre acesso no país, que ajudam a alimentar grades técnico de eventos e pautas de empresas relacionadas à gestão da sustentabilidade.


Investimento em ser verde

A rede de lanchonetes Kharina, que atua há mais de 35 anos em Curitiba, é hoje a única empresa no sul do Brasil a ser reconhecida como ambientalmente responsável. O reconhecimento vem através do selo Green Kitchen, concedido pela USP (Universidade de São Paulo), para empresas que estão investindo na mudança de sua realidade com respeito e responsabilidade ambiental. Hoje, o Kharina tem destinação zero de resíduos sólidos para aterros sanitários, uso de produtos de limpeza 100% biodegradáveis e usa gordura de palma na produção de alimentos, deixando todos os seus produtos do cardápio sem gordura trans.

ARTIGO: MARKETING VERDE COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA DE SUCESSO

Uma boa imagem organizacional é fundamental para se estabelecer no mercado, hoje não basta mais pensar apenas em vender. Organizações bem sucedidas preocupam-se em construir uma imagem sólida e positiva perante seus clientes.

Essa imagem está relacionada ao que a organização “é”, “diz” e “faz”, e será favorável se houver consonância entre esses três quesitos e as exigências dos clientes. Preço e qualidade já não são mais suficientes para garantir o sucesso das organizações em um mercado cada vez mais competitivo. Os consumidores, conscientes e preocupados com a sociedade e o meio ambiente, buscam produtos e serviços oferecidos por empresas sustentáveis. Essa é a realidade atual e a tendência para as próximas décadas.

O primeiro passo para as empresas que buscam ser sustentáveis, é acreditar na sustentabilidade, adotando atitudes sustentáveis em todos os setores e processos da organização e em todos os níveis hierárquicos. Reduzir o consumo é fundamental para evitar o desperdício de energia e recursos naturais. Aqui engloba-se tanto a redução de produtos prontos, acabados, utilizados no dia a dia empresarial, como a matéria-prima utilizada na produção de produtos e recursos como água, energia, gás.

Quando do planejamento e gestão da sustentabilidade a organização precisa rever todos os itens consumidos, analisando se é possível a redução dos mesmos, o que pode ser feito com atitudes simples e baratas como adquirir somente máquinas e equipamentos mais duráveis; reformar e consertar máquinas e equipamentos, quando possível; evitar produtos descartáveis na organização (como o copinho do cafezinho, por exemplo); preferir materiais reciclados ou recicláveis (cartuchos de tinta para impressora e toners podem ser facilmente recondicionados, por exemplo); utilizar o correio eletrônico para comunicação entre setores e imprimir apenas o que for estritamente necessário; utilizar fontes de energia alternativa, entre outras ações. Acreditar, planejar e gerir a sustentabilidade dentro das organizações contribui para que as ações sustentáveis se tornem realidade e não apenas um conceito moderno utilizado somente para atrair clientes.

A sustentabilidade empresarial é fundamental para garantir o sucesso da organização, ao mesmo tempo em que favorece o desenvolvimento da sociedade e a manutenção de um meio ambiente saudável, promovendo a qualidade de vida para a atual e as próximas gerações. Tendo em vista que o mercado vem cada vez mais exigindo que a sustentabilidade seja tomada como atividade crítica pelas organizações, tanto quanto a qualidade do produto ou serviço a ser oferecido, organizações que visam o sucesso incluem o meio ambiente na sua filosofia empresarial e adotam a sustentabilidade como questão estratégica para sobrevivência e prosperidade dos seus negócios.

Aliando todas as atividades inerentes ao marketing com a preocupação ambiental, o Marketing Verde pode contribuir para o fortalecimento da imagem da marca e seduzir o consumidor, já que possibilita aos gestores a identificação e satisfação das exigências desses consumidores, de forma ao mesmo tempo lucrativa e sustentável.

As atividades de marketing verde são voltadas para a minimização dos efeitos negativos sobre o ambiente físico ou melhoraria da sua qualidade; trata-se de uma importante ferramenta que contribui em todo o processo produtivo, do desenvolvimento do produto (ou serviço), entrega, até o seu descarte.

Assim o marketing verde surge como uma ferramenta para auxiliar as organizações no processo de entrega de valor aos seus clientes com garantia de preservação ambiental. Lembrando que o mesmo precisa ser trabalhado na empresa de forma clara, com ações que possibilitem a mudança cultural e estratégica objetivando assim a melhoria nos resultados e a redução de custos. Tendo nas pessoas e na sua qualidade de vida a base solidificadora do sucesso!

Autor: Evandro Razotto

=========================================================

Matéria publicada originalmente na edição 24 da Revista Geração Sustentável
Jornalista: Letícia Ferreira
Fotos: divulgação


Veja os outros conteúdos dessa edição!

Matérias:
Capa: Usipar - Transformando entulho da construção civil em novos produtos
Qualidade de Vida: Academias ao ar livre
Visão Sustentável: Os projetos florestais do Grupo Ecoverdi
Responsabilidade Social: Ações e Projetos CPCE
Desenvolvimento Local: Os desafios da Construção Civil

Artigos:
Fabrício Campos: Círculo Virtuoso e os Caminhos da Sustentabilidade
Gastão F. da Luz: De cógidos, fatos e acontecimentos
Jeronimo Mendes: A nova Ordem Econômica
Evandro Razzoto: Marketing Verde como ferramenta estratégica de negócio

===========================================

Seja assinante da Geração Sustentável e ganhe o livro Eco Sustentabilidade

A revista Geração Sustentável faz uma promoção especial para você leitor que busca novos conhecimentos sobre o tema sustentabilidade corporativa.

Aproveite essa oportunidade e faça agora mesmo a sua assinatura!

*Promoção por tempo limitado

ARTIGO: A NOVA ORDEM ECONÔMICA

Os dias em que a economia mundial era dominada pela agricultura há muito se foram. Por volta de 1750, a força de trabalho mundial era composta de 90% de empreendedores ou autônomos: pintores, ferreiros, agricultores, carroceiros, artesãos, comerciantes em geral. Quem não estava a serviço do rei, do imperador ou da chamada burguesia, fazia algo por contra própria para se sustentar.

A partir do século 18, a Revolução Industrial tornou-se um marco decisivo no processo de desenvolvimento humano e resultou em mudanças significativas no que se conhecia até então como trabalho. Se, por um lado, a industrialização tornou obsoletos alguns ofícios tradicionais, por outro, todos entendiam que os objetos ou mercadorias que pertenciam a poucos privilegiados poderiam agora ser de todos.

Com suas promessas de trabalho ininterrupto e o fim da sazonalidade na agricultura, as exigências da indústria não variavam: um só trabalho em um só lugar fazendo uma só coisa até onde o trabalhador pudesse suportar. Essa nova filosofia de trabalho acarretou uma demanda de tal esforço que os estudiosos da época acreditavam que as pessoas comuns não fossem capazes de executá-la.

Com a reestruturação dos hábitos de trabalhar, uma disciplina rígida, novos incentivos e uma nova natureza humana, o historiador E. P. Thompson chegou a afirmar que “o trabalhador inglês médio tornou-se mais disciplinado, mais sujeito ao tempo produtivo do relógio, mais reservado e metódico, menos espontâneo e menos violento.”
Dessa forma, criava-se então uma nova maneira de arranjo social, de sobrevivência e de conduta humana; o trabalho já não era mais o mesmo e um novo conceito começava a ganhar forma: o emprego. Contudo, a transição para os empregos modernos foi lenta e gradual e ocorreu em diferentes tempos e lugares.

Dois séculos e meio depois, observa-se uma relação inversa, na proporção de mais de 90% de trabalhadores para menos de 10% de empreendedores ou patrões ainda que o advento da globalização tenha contribuído sobremaneira para a redução de 400 milhões de postos de trabalho formais.

Da mesma maneira que a Revolução Industrial pôs fim à Era da Agricultura, a Era da Informação e do Entretenimento colocam fim à Era da Industrialização. De acordo com John Gray, filósofo de Oxford e Professor da London School of Economics, a indústria continuará ativa, mas a vida econômica já não é mais voltada prioritariamente para a produção. Seus canhões estão direcionados para a distração.

Segundo Gray, o imperativo que comanda o capitalismo econômico atual não é mais a produtividade, mas a possibilidade de manter o tédio à distância, onde a riqueza é a regra e a maior ameaça é a perda do desejo. Nesse caso, a novidade não é o fato de a prosperidade depender do estímulo da demanda, mas o fato de poder continuar sem inventar novos vícios. Novas experiências tornam-se obsoletas mais rapidamente ainda do que os produtos físicos, razão pela qual as empresas apostam pesado na criação de novas tecnologias, brinquedinhos eletrônicos, mídias sociais e tudo mais que possa entreter o potencial consumidor.

Por essas e outras razões, drogas, sexo, humor, música, viagem, silêncio, culto ao corpo e narcisismo viraram sinônimo de dinheiro. De certa forma, tudo o que possa nos distrair e provocar uma relativa sensação de conforto são antídotos contra o aborrecimento. A indústria do entretenimento percebe isso com mais velocidade do que a nossa capacidade de consumo.

Na medida em que as tecnologias avançam, a necessidade de consumi-las também avança, por estímulo próprio ou indução. O fato é que os novos vícios não serão suficientes para aliviar o peso de uma vida cada vez mais confortável e dependente de tecnologia, afinal, toda essa parafernália não conseguirá reduzir a demanda diária de trabalho de catorze para quatro ou seis horas, no máximo.

Torço para que tudo isso seja apenas uma febre temporária. Já pensou se toda essa tecnologia – representada por robôs baratos e altamente capazes - conseguir substituir o trabalho humano a ponto de deixar todo mundo desempregado? O mundo não seria muito diferente do que era até o século 18. Pense nisso e seja feliz!

Jerônimo Mendes
Administrador, Consultor, Professor Universitário e Palestrante
Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local


=========================================================

Matéria publicada originalmente na edição 24 da Revista Geração Sustentável


Veja os outros conteúdos dessa edição!

Matérias:
Capa: Usipar - Transformando entulho da construção civil em novos produtos
Qualidade de Vida: Academias ao ar livre
Visão Sustentável: Os projetos florestais do Grupo Ecoverdi
Responsabilidade Social: Ações e Projetos CPCE
Desenvolvimento Local: Os desafios da Construção Civil

Artigos:
Fabrício Campos: Círculo Virtuoso e os Caminhos da Sustentabilidade
Gastão F. da Luz: De cógidos, fatos e acontecimentos
Jeronimo Mendes: A nova Ordem Econômica
Evandro Razzoto: Marketing Verde como ferramenta estratégica de negócio

===========================================

Seja assinante da Geração Sustentável e ganhe o livro Eco Sustentabilidade
A revista Geração Sustentável faz uma promoção especial para você leitor que busca novos conhecimentos sobre o tema sustentabilidade corporativa.

Fazendo uma assinatura anual (R$ 59,90) da revista você ganha o livro “ECO SUSTENTABILIDADE: Dicas para tornar você e sua empresa sustentável” do consultor Evandro Razzoto.

Aproveite essa oportunidade e faça agora mesmo a sua assinatura!

*Promoção por tempo limitado

INOVAÇÃO E INCENTIVO ÀS PRÁTICAS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA

Iniciativas do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial estimulam o desenvolvimento sustentável do Paraná gerando empresas cidadãs

Na cidade de Mandaguari, norte do Paraná, o projeto Espaço Mulher vem melhorando a qualidade de vida dos seus colaboradores. Desenvolvido na empresa Romagnole, o projeto visa criar uma política de equidade de gênero. Em encontros mensais, as mulheres que trabalham na empresa têm a oportunidade de debater sobre questões voltadas ao ambiente de trabalho, postura profissional, relacionamento no ambiente de trabalho, e saúde.
O projeto ainda está na sua etapa inicial, mas quando esta for concluída, terão início ações com base na demanda que for levantada pelas próprias mulheres, além da capacitação para os líderes de cada área da empresa sobre questões de gênero. “As participantes mostram em suas avaliações que ficaram satisfeitas com o espaço para colocar suas demandas e dificuldades, já que eram pouco ouvidas e muitas vezes sofrem preconceitos”, conta a coordenadora de Gestão de Pessoas da empresa, Gisele Galatti.

Através da iniciativa do Espaço Mulher, a empresa fez ainda uma parceria com o Sesi para a implantação do projeto Caminhos da Profissão, com o objetivo de proporcionar capacitação profissional para os filhos e familiares das colaboradoras e colaboradores da Romagnole, e também cursos profissionalizantes para as esposas e filhas de colaboradores que estão desempregadas. Mas nem sempre foi assim. De acordo com Gisele, o espaço mulher surgiu em fevereiro de 2011, frente à percepção da empresa com relação às modificações sociais que surgiram com a ampliação do número de mulheres nas indústrias. O projeto piloto nasceu então por meio de uma parceria com a FIEP e com o Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE). Hoje, a Romagnole é considerada uma empresa cidadã que vem contribuindo com o desenvolvimento sustentável do Paraná.

Para se criar uma ação com foco nas colaboradoras da empresa, foi realizado um Círculo de Diálogo com as mulheres voltado para o ODM 5 – Valorização da Mulher e Igualdade Entre os Sexos, e a aplicação de um questionário socioeconômico com o objetivo de obter informações das próprias mulheres para contribuir na elaboração do projeto e desde então, tem dado bons resultados. Mas este é apenas um dos cases de sucesso do CPCE – que tem como responsabilidade mostrar que isso é possível por meio de ferramentas“ que não são de filantropia, mas de administração”, segundo Victor Barbosa, presidente executivo do Conselho, fazendo assim com que outras empresas as apliquem em seus entornos.
Para o presidente que acumula 31 anos de experiência empresarial e em ações de responsabilidade social, o Brasil não é o país mais adiantado quando se trata de consciência sustentável, mas aos poucos os exemplos já começam a aparecer. “Com o trabalho da FIEP e do CPCE, as pessoas começam a perceber que o tripé da sustentabilidade impacta na boa governança, porque não existe boa governança sem o tripé da sustentabilidade” afirma Barbosa, acrescentando ainda que o segredo do sucesso está na simplicidade: “Nós damos a receita do bolo e as pessoas percebem que a coisa é bem mais simples do que se pensa”.

Criado em 2004 pela Federação das Indústrias do Paraná durante o Congresso Paranaense da Indústria, o Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial, conta hoje com 220 organizações entre indústrias e sindicatos, comércio e serviço, instituições educacionais e terceiro setor. O projeto que nasceu com o objetivo de reunir as potencialidades e competências empresariais e promover o desenvolvimento sustentável do Paraná, já é referência no estado e está em contínua expansão com a criação de regionais em cidades do interior.

A coordenadora do Conselho, Fernanda Rocha, destaca a importância da regionalização dos CPCE´s. Por meio da sensibilização de sindicatos e de visitas as empresas, afirma Fernanda, a iniciativa tem sido muito bem recebida no interior. “Muitos têm interesse no tema, mas não sabem como fazer e acham muito difícil. Depois que damos alguma ideia, eles vêem que são capazes de fazer algo e elaboram seus projetos”, diz a coordenadora sobre o trabalho realizado com as regionais. O CPCE está instalado em Londrina e Maringá e nos próximos meses Cascavel e Ponta Grossa também terão suas regionais.

Com a mobilização realizada pelo Conselho, muitas empresas do Paraná hoje são signatárias do pacto global e em suas práticas de negócios, adotam os valores fundamentais e internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção, refletidos em dez princípios (ver quadro), desenvolvidos pelo ex-secretário da ONU, Kofi Annan. “Anualmente, as empresas signatárias apresentam a um comitê um relatório com as ações realizadas de acordo com os princípios do pacto”, explica Fernanda Rocha.

Dividido em núcleos de trabalho, o conselho também articula e apoia ações e projetos de responsabilidade socioambiental, investimento social privado e ações de voluntariado através da participação dos profissionais de diferentes segmentos e setores da sociedade, organizados nos seguintes grupos: Núcleo Organizações do Terceiro Setor; Núcleo Indústrias e Sindicados; Núcleo Comércio, Serviço e Apoio ao Desenvolvimento e Núcleo Instituições Educacionais.

Por meio do núcleo Instituições Educacionais, a mais recente iniciativa do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial lançou o Movimento Paraná Educando na Sustentabilidade. A coordenadora desse núcleo, Sonia Ana Leszczynski, define que o enfoque do movimento é muito amplo e vai muito além da visão ambiental. “A sustentabilidade deve ser trabalhada em diferentes aspectos: social, econômico e ambiental, englobando assim vários fatores”, afirma. Segundo a psicóloga, é preciso primeiramente conscientizar as pessoas por meio da difusão da informação, para posteriormente partir para um plano de ação.

Uma das ações deste movimento que busca a conscientização por meio da educação, foi a palestra realizada com o teólogo e professor Leonardo Boff, no dia 2 de agosto. Boff elogiou a iniciativa do CPCE de articular as instituições educacionais para a sustentabilidade e apontou que a educação é a porta de entrada para um novo começo. “O grande desafio é encontrar um meio de habitar o planeta de tal maneira que consigamos manter o equilíbrio da Terra, como ser vivo. E a educação pode promover a consciência cidadã, aquela capaz de proteger e cuidar de tudo que está ao nosso redor”, ressaltou o professor que foi um dos redatores da Carta da Terra.

Além da articulação e mobilização, o Conselho trabalha ainda com a criação de material didático sobre a visão da sustentabilidade e para os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro o núcleo Instituições de Ensino prepara o Curso de Capacitação para Educação na Sustentabilidade. Outro instrumento criado para motivar os empresários para reflexão e inspirá-los para uma nova cultura empreendedora que gere empresas voltadas não somente ao lucro, mas que priorize o ser humano na empresa e esta na comunidade em que se insere, é o guia Empresário do Terceiro Milênio, fundamentado nos Princípios do Pacto Global e nos Objetivos do Milênio (ODM). Até o fim do ano, O CPCE lançará um curso à distância com base nesse guia.


Princípios do Pacto Global

1. Respeitar e proteger os direitos humanos;
2. Impedir violações de direitos humanos;
3. Apoiar a liberdade de associação no trabalho;
4. Abolir o trabalho forçado;
5. Abolir o trabalho infantil;
6. Eliminar a discriminação no ambiente de trabalho;
7. Apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais;
8. Promover a responsabilidade ambiental;
9. Encorajar tecnologias que não agridem o meio ambiente.
10. Combater a corrupção em todas as suas formas inclusive extorsão e propina.

=========================================================

Matéria publicada originalmente na edição 24 da Revista Geração Sustentável
Jornalista: Letícia Ferreira
Fotos: divulgação


Veja os outros conteúdos dessa edição!

Matérias:
Capa: Usipar - Transformando entulho da construção civil em novos produtos
Qualidade de Vida: Academias ao ar livre
Visão Sustentável: Os projetos florestais do Grupo Ecoverdi
Responsabilidade Social: Ações e Projetos CPCE
Desenvolvimento Local: Os desafios da Construção Civil

Artigos:
Fabrício Campos: Círculo Virtuoso e os Caminhos da Sustentabilidade
Gastão F. da Luz: De cógidos, fatos e acontecimentos
Jeronimo Mendes: A nova Ordem Econômica
Evandro Razzoto: Marketing Verde como ferramenta estratégica de negócio

===========================================

Seja assinante da Geração Sustentável e ganhe o livro Eco Sustentabilidade
A revista Geração Sustentável faz uma promoção especial para você leitor que busca novos conhecimentos sobre o tema sustentabilidade corporativa.

Fazendo uma assinatura anual (R$ 59,90) da revista você ganha o livro “ECO SUSTENTABILIDADE: Dicas para tornar você e sua empresa sustentável” do consultor Evandro Razzoto.

Aproveite essa oportunidade e faça agora mesmo a sua assinatura!

*Promoção por tempo limitado

domingo, 23 de outubro de 2011

Sustentabilidade florestal é vencer desafios no mercado de hoje

Grupo Ecoverdi investe em boa estrutura nesse setor para mostrar que o crescimento e o desenvolvimento começam no seu setor mais primordial: a floresta

Dentro das empresas produtoras de papel e celulose, o tripé ambiental – social - econômico é primordial para o desenvolvimento e crescimentos das indústrias e tem seu início no setor base de toda a cadeira produtiva: as florestas. Ciente disso e com objetivos de tornar esse setor mais forte e sustentável, o Grupo Ecoverdi vem investindo em um novo foco de ações nessa área, com o objetivo de superar as questões econômicas do setor. “Superar essas questões (econômicas) é ser sustentável, pois nos quesitos social e ambiental nós já temos a responsabilidade. Com esse terceiro quesito alcançamos um conceito de superação dentro do setor”, afirma Eduardo Queluz, gestor do setor florestal no Grupo Ecoverdi.

O crescimento econômico, entretanto, vem de diferentes vertentes e está interligado com os dois outros pés desse tripé. “Ser economicamente viável está ligado com nossas responsabilidades ambientais e com nossos investimentos na questão social”, garante Queluz. Entre suas ações iniciais está a busca pelo melhor aproveitamento das florestas. “Estamos trabalhando em busca de plantios mais produtivos. Com pesquisa de solo, estudo de adaptação de espécies e escolhas genéticas podemos ter melhores resultados em nossas florestas. Com essas ações, nossa expectativa é chegar a um crescimento de até 30% em nossa próxima rotação (ciclo que dura cerca de quatorze anos) na plantação de pinus, ficando desta forma acima da média nacional”, explica.

Também dentro desse potencial produtivo que está sendo valorizado, a Ecoverdi usa parte de sua produção florestal para a produção de energia dentro de suas fábricas. “Toda a madeira produzida em nossas florestas não é destinada apenas a produção de papel e celulose. Toda a árvore pode ser dividida em diversas partes para diferentes aproveitamentos. Em nossas indústrias esse aproveitamento é também geração de energia para a fábrica”, conta Queluz. Segundo dados do último relatório de atuação do Grupo Ecoverdi, esse aproveitamento bem feito das florestas foi responsável pela geração de 54%da energia consumida pelas fábricas do grupo no ano de 2010, através da biomassa (resíduos de madeira menos nobre aproveitados para esse fim).

Partindo desse trabalho de base, o setor florestal se vê com foco em outras vertentes de atuação, não menos importantes no processo produtivo. “Nossa proximidade com a comunidade em torno das florestas é fundamental. Por ser uma atividade do agronegócio pouco reconhecida pela comunidade, é importante nossa convivência próxima para que a população possa entender nossa atuação, percebendo que temos respeito pelo espaço deles e que estamos ali, na verdade, para contribuir. Por isso estamos adotando, no Grupo Ecoverdi, políticas de portas abertas com as comunidades em torno de florestas”, afirma Queluz. Nesse projeto, de acordo com o gestor florestal, a empresa busca entender as necessidades das comunidades para poder atuar de forma responsável na região. Essa atuação abrange estabelecer relações de confiança com a vizinhança, além de valorização da mão de obra local, com a contratação em parceria com sindicatos e prefeituras e até a parceria para resoluções de questões fundiárias nas comunidades. “A empresa não é mãe nem governo. Ela também sofre, mas em alguns lugares a empresa é como se fosse o irmão mais velho na região, então tem que fazer algo a mais pelo local onde está inserido”, reflete.

Na busca pela expansão da empresa com boas relações em suas comunidades, o Grupo Ecoverdi também está desenvolvendo projetos de fomento para os próximos anos. “Com impacto menor, estamos estudando a melhor forma de propor a vizinhança o aproveitamento das áreas ociosas das propriedades. É lucro para quem cede o espaço e para a indústria de celulose que tem mais matéria-prima para produção”, afirma. O projeto, no entanto, já leva em conta as questões de impacto ambiental e social que a atividade tem, e já está dentro dos novos conceitos de relações comunitárias do Grupo.

Diante dessas mudanças que estão sendo implantadas, o Grupo Ecoverdi quer mais. Todas essas ações também fazem parte de um projeto importante para o Grupo como um todo, as certificações das unidades de manejo. O objetivo é a Certificação FSC, que no Brasil são concedidas pelo Conselho Brasileiro de Manejo Florestal. “Para ter essa certificação, todo o tripé (ambiental - social – econômico) deve estar bem resolvido. Essa certificação organiza e direciona o trabalho e a atuação da operação florestal”, conta Queluz. O trabalho do grupo para a certificação se dará também através da Certificação em Cadeia de Custódia, que leva o FSC para além das unidades de manejo, inserindo as fábricas, e consequentemente os produtos. “Nesse processo temos a responsabilidade com a rastreabilidade da madeira, uma vez que o produto que com ela for produzido dará origem ao papel certificado e às embalagens certificadas”, explica o gestor florestal do Grupo Ecoverdi. Hoje, a empresa está se adequando para a certificação. “Faremos um trabalho interno para atingir esses patamares essenciais, para depois partirmos para as auditorias e a obtenção do selo FSC.” Esse objetivo, no entanto, não é somente uma questão de mercado: “Essas ações para a Certificação FSC tem um objetivo maior: criar uma cultura diferente dentro da empresa, mostrando seu papel e sua importância a todos que estão inseridos nesse processo, além de transferir esse espírito para toda nossa a cadeia, inclusive para as comunidades em que atuamos”, defende Queluz.

=========================================================

Matéria publicada originalmente na edição 24 da Revista Geração Sustentável
Jornalista: Lyane Martinelli
Fotos: divulgação


Veja os outros conteúdos dessa edição!

Matérias:
Capa: Usipar - Transformando entulho da construção civil em novos produtos
Qualidade de Vida: Academias ao ar livre
Visão Sustentável: Os projetos florestais do Grupo Ecoverdi
Responsabilidade Social: Ações e Projetos CPCE
Desenvolvimento Local: Os desafios da Construção Civil

Artigos:
Fabrício Campos: Círculo Virtuoso e os Caminhos da Sustentabilidade
Gastão F. da Luz: De cógidos, fatos e acontecimentos
Jeronimo Mendes: A nova Ordem Econômica
Evandro Razzoto: Marketing Verde como ferramenta estratégica de negócio

===========================================

Seja assinante da Geração Sustentável e ganhe o livro Eco Sustentabilidade
A revista Geração Sustentável faz uma promoção especial para você leitor que busca novos conhecimentos sobre o tema sustentabilidade corporativa.

Fazendo uma assinatura anual (R$ 59,90) da revista você ganha o livro “ECO SUSTENTABILIDADE: Dicas para tornar você e sua empresa sustentável” do consultor Evandro Razzoto.

Aproveite essa oportunidade e faça agora mesmo a sua assinatura!

*Promoção por tempo limitado

Sustentabilidade: Os desafios da Construção Civil em tempos de Copa e Olimpíadas

Setor está em expansão mas muitos pontos ainda estão obscuros quando se trata de sustentabilidade

Hoje o Brasil vive um período de euforia com tantos projetos em andamento na construção civil. O bom momento econômico ajudou a alavancar investimentos no setor de construção civil, despontando, em primeiro lugar, grandes investimentos no setor de construção de moradias e ampliação da demanda imobiliária. Agora, além desse motor, o setor tem outros pontos que deveriam servir de propulsor para o desenvolvimento pleno, com real sustentabilidade e responsabilidade: as grandes obras que a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 trazem como necessidade.

O governo vem assumindo a postura de usar toda essa movimentação no setor para divulgar investimentos em infraestrutura e melhorias em todas as regiões, com investimentos em habitação, estradas, aeroportos e outros setores que muito carecem de investimentos atualmente. A questão que vem então é: estaria sendo toda essa movimentação bem aproveitada para o desenvolvimento local, com sustentabilidade e progresso?


Os investimentos anunciados pelo governo através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que somadas as fase 1 e 2, somam mais de 2 trilhões de reais, estão direcionados para o desenvolvimento em diversas áreas nas cinco regiões do Brasil (veja tabela abaixo). Entre as obras estão ações de infraestrutura de moradia, distribuição de água tratada e energia elétrica, transportes e reforço em questões de educação e saúde, em prol de uma comunidade com cidadania em todas as regiões do país. Dentre todos esses investimentos anunciados, a construção civil faz parte da realização da maior parte dos projetos anunciados pelo governo. E isso faz do setor um dos mais importantes do país no momento.


A euforia do setor

Diante de todos esses investimentos, quem trabalha com a construção civil está vendo boas oportunidades de investimento. De acordo com Wilson Meister, da Ivaí Engenharia, “o setor é fundamental para a manutenção da atual situação econômica do país, haja vista a grande quantidade de recursos investidos em projetos de infraestrutura, a necessidade de manutenção do nível de empregos oficialmente registrados e a movimentação de toda a cadeia produtiva envolvida nestes projetos”.

Entretanto, especialistas alertam sobre os sobressaltos no setor. “Existe uma euforia ‘preocupante’ sendo verificada no mercado que prevê um crescimento em 2011 da ordem de 5%. No entanto, o número de lançamentos nos leva a uma reflexão um pouco mais profunda e por meio de uma abordagem sistêmica, ampliando o campo de percepção visual: o atual ritmo é sustentável por quanto tempo?”, indaga Cleuton Carrijo, copresidente executivo da Sustentábil Construções de Alto Desempenho Ambiental.

Para a arquiteta Sandra Pinheiro, que trabalha com certificações na construção civil, a questão dentro do setor já se mostra um pouco mais profunda e vai além da euforia. “Esse mega investimento não tem se traduzido em desenvolvimento sustentável para a indústria da construção civil brasileira. Há uma morosidade do setor em assimilar novas tecnologias, e até investir em outras largamente utilizadas. Na outra ponta, a aplicação de fechamentos e acabamentos feitos ainda de forma rudimentar, a utilização de materiais virgens altamente predatórios, assim como o descarte ilegal de resíduos tem sido um problema a combater”, afirma.

De acordo com Sandra, existem várias questões que afetam o real desenvolvimento da construção civil no Brasil e que precisam de uma atenção diferenciada. “Um ponto muito importante está relacionado à questão da pesquisa. A produção em pesquisa tecnológica está contida e engessada nas universidades, que necessitam de apoio do setor privado para formar conhecimento e produzir inovação. Outro ponto se refere ao governo, que é maior interessado na discussão sobre racionalização da construção para diminuir o desperdício, não desenvolve políticas públicas para viabilizar a aplicação dos novos sistemas ou investimentos em inovações tecnológicas”, comenta Sandra.

Especificamente na questão da sustentabilidade, Carrijo defende que os princípios da sustentabilidade estejam inseridos nos projetos em andamento na construção civil. “Isso porque princípio é onde tudo principia; não é a quantidade do TER e sim a qualidade do SER que faz toda a diferença. E princípio está acima e além da lei do certo x errado. Então, como princípios importantes da sustentabilidade aplicados na construção para torná-la efetivamente sustentável, temos: o planejamento sustentável da obra; o aproveitamento passivo dos recursos naturais; a eficiência energética; a gestão e economia da água; a gestão dos resíduos na edificação; a qualidade do ar e do ambiente interior; o conforto termo-acústico (impedindo ou dificultando trocas de calor entre o interior e o exterior); o uso racional de materiais; e, finalmente, o uso de produtos ditos verdes e tecnologias ambientalmente verdadeiros”, explica.


A Copa do Mundo e as Olimpíadas

Dois eventos que necessitam de infraestrutura e logística apuradas para seu pleno desenvolvimento, a Copa do Mundo e as Olimpíadas têm surgido como os grandes carros chefes para o desenvolvimento amplo e acelerado nos próximos cinco anos. Para o setor de construção, essa é a oportunidade de crescer, investir e gerar empregos. “Com a certeza de que o setor se manterá por vários anos em grande atividade permitindo com que as empresas invistam em qualificação de mão de obra, talvez nossa principal carência atual, novos equipamentos e soluções de engenharia. Temos uma previsão de crescimento de 5 a 10% no setor para os próximos cinco anos”, conta Wilson Meister.

Dentro da questão voltada a sustentabilidade nesses empreendimentos de grande porte, existem questões que devem ser consideradas, afinal, vão mudar as estruturas das cidades. “Deve haver cautela na apreciação desses empreendimentos. A super exposição de um projeto bem elaborado, com todas as medidas e práticas sustentáveis adequadamente implantadas inclusive de operação e manutenção será um grande benefício para o entendimento dos conceitos de sustentabilidade. No entanto, muitos projetos, adequadamente projetados tanto por arquitetos nacionais quanto internacionais, podem não ser corretamente executados pelas construtoras, em função de limitações de prazos ou orçamentárias, e se transformarem em puro marketing verde, causando um desserviço ao setor”, alerta Sandra Pinheiro.


Em relação às responsabilidades do governo e de todo o setor como um todo em relação às obras, Cleuton Carrijo defende mudanças na postura de atuação e execução dessas obras monumentais. “O Brasil será a grande potência ambiental do planeta em poucos anos. E a quinta maior economia do mundo por volta de 2020. Projetos que costumam ser superfaturados, fugindo da lei das licitações, sofrem de um problema: quanto mais próximos da Copa ou da Olimpíada, as obras na maioria das vezes sofrem um overprice de 30% como ‘taxa de urgência’. Com foco pelo viés da sustentabilidade, essas obras deveriam ser financeiramente viáveis e, uma vez a obra executada, os produtos deveriam durar muito mais, exigindo muito menos manutenção e ao mesmo tempo mais consciência no uso. Porém, se for para ser de outra forma, já deixou de ser sustentável, o que é um problema”, garante.


Sustentabilidade e a responsabilidade ambiental

O crescimento econômico que vem proporcionando a evolução da construção civil no Brasil também precisa ter seu lado de responsabilidade e a inserção da sustentabilidade nos projetos. “Assim como o setor em constante expansão tem sido responsável pela estabilidade econômica do país, também na mesma proporção ou em alguns casos exponencialmente tem produzido severos danos ao meio ambiente e contribuem para a estatística que demonstra que o setor é responsável por 40% das emissões de CO² (dados americanos), maior do que o setor de transportes e também o industrial. Esse crescimento econômico então, tem seu lado perverso para o nosso meio ambiente e deve ser equalizado para não ter efeitos irreversíveis”, afirma Sandra.

Carrijo, dentro dessa questão, direciona alguns questionamentos importantes para que se possa analisar a questão da sustentabilidade e da responsabilidade no setor da construção civil. “Aos construtores: será que os produtos ditos ‘sustentáveis’ usados por nós realmente tem processos produtivos energeticamente eficientes? Será que suas ETEs usam e reaproveitam água em ciclos realmente infinitos? E como anda avançando seu programa de beneficiamento dos resíduos que ela mesma gera e pode reciclar através da manufatura reversa e/ou revender para outras indústrias o que para ela é descarte mas para outra atividade econômica seria um substituto à matéria-prima original, aliviando a pressão por extrair na extremidade inicial de toda a cadeia?”, questiona.

Para Carrijo, as questões de sustentabilidade e responsabilidade ambiental são uma questão de prática. “Por que a prática leva à excelência e não à perfeição - uma vez que ninguém é perfeito. Mas cada um pode e deve buscar a auto-superação à cada novo dia. E a auto-superação conduz ao nível da excelência. E da excelência para a vantagem competitiva é um passo ou dois, de preferência. Temos de lembrar que sustentabilidade na construção civil por enquanto ainda é inovação; e inovação significa tornar concorrentes irrelevantes. Em outras palavras, não importa se a construtora é competente e sim se está competitiva para encarar o futuro. Sair na frente e permanecer adiante do seu tempo”, garante.


OPINIÃO - Álvaro Cabrini (CREA-PR)

De acordo com o engenheiro agrônomo Álvaro Cabrini Jr, presidente licenciado do CREA-PR (Conselho Regional da Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná), os investimentos na área de construção civil são positivos, mas precisam ser concretizados antes de serem comemorados. “É preciso entender que uma coisa é anunciar investimento, outra é realizá-lo efetivamente, disponibilizar o numerário para que o investimento aconteça. Obviamente que isso é altamente positivo, quando estes recursos estão vinculados à construção civil, mas friso que precisamos de investimentos principalmente voltados à infraestrutura, direcionados de forma direta e objetiva, sem burocracia nem falsas promessas”, avalia.

Para Cabrini, hoje as grandes obras trazem benefícios como um todo para o país, mas defende o bom direcionamento dos recursos. “Hoje a engenharia e consequentemente a construção civil são a mola propulsora do desenvolvimento do Brasil. Quando a construção civil vai bem, naturalmente ela puxa o crescimento nacional. Porém, infelizmente no Brasil nem sempre os recursos são direcionados corretamente. Além disso, existe o problema da burocracia. Às vezes existe disponibilidade financeira, mas há um conjunto de normas que inviabiliza este financiamento. Precisamos pontuar esta situação, da mesma forma que é preciso ressaltar a dificuldade de pequenas e médias empresas obterem recursos em virtude do seu porte”, comenta.

=========================================================

Matéria publicada originalmente na edição 24 da Revista Geração Sustentável
Jornalista: Lyane Martinelli
Fotos: divulgação


Veja os outros conteúdos dessa edição!

Matérias:
Capa: Usipar - Transformando entulho da construção civil em novos produtos
Qualidade de Vida: Academias ao ar livre
Visão Sustentável: Os projetos florestais do Grupo Ecoverdi
Responsabilidade Social: Ações e Projetos CPCE
Desenvolvimento Local: Os desafios da Construção Civil

Artigos:
Fabrício Campos: Círculo Virtuoso e os Caminhos da Sustentabilidade
Gastão F. da Luz: De cógidos, fatos e acontecimentos
Jeronimo Mendes: A nova Ordem Econômica
Evandro Razzoto: Marketing Verde como ferramenta estratégica de negócio

===========================================

Seja assinante da Geração Sustentável e ganhe o livro Eco Sustentabilidade
A revista Geração Sustentável faz uma promoção especial para você leitor que busca novos conhecimentos sobre o tema sustentabilidade corporativa.

Fazendo uma assinatura anual (R$ 59,90) da revista você ganha o livro “ECO SUSTENTABILIDADE: Dicas para tornar você e sua empresa sustentável” do consultor Evandro Razzoto.

Aproveite essa oportunidade e faça agora mesmo a sua assinatura!

*Promoção por tempo limitado

1ª Expo Virtual - Iluminação Sustentável

A Expo Virtual Iuminação Sustentável é uma evento inédito e a 1ª feira virtual de iluminação do Brasil. Buscamos levar informações, tendências e novas tecnologias, aos profissionais do mercado e no conforto de seu escritório ou residência.

Buscamos um formato on-line para democratizar o acesso a tais informações de grande relevância, minimizando os custos aos expositores e visitantes e juntando todos em um único "Espaço Virtual".

A proposta da Expo é funcionar como uma feira real, disponibilizando os materiais dos expositores aos visitantes, porém por um período maior do que os 3 ou 4 dias que é comum nas feiras tradicionais e em um horário extremamante flexível: 24 horas, o que é impossível no mundo real, por custos, tempo, volume, infraestrutura.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

SIMPÓSIO DISCUTE A RELAÇÃO DA BIOFÍSICA QUÂNTICA COM ALIMENTOS E A PREVENÇÃO DE DOENÇAS

A vida moderna traz entre os problemas sérios para a saúde, que são causados muitas vezes pela alimentação incorreta, pelo acúmulo de toxinas, formadas por agrotóxicos, aditivos químicos e metais pesados e também pelos impactos das ondas eletromagnéticas de aparelhos domésticos, celulares, ondas de rádios, microondas e a irradiação. A relação destes problemas com a biofísica quântica e como ela pode ser usada para prevenir doenças como câncer, obesidade, envelhecimento precoce , doenças crônicas e degenerativas, entre outras, será debatida no 1º Simpósio Paranaense de Biofísica Quântica e Ciência dos Alimentos, que acontece dia 12 de novembro no Mercado Municipal de Curitiba.

O simpósio traz a cidade especialistas e pesquisadores na área que vão discutir assuntos como estética quântica, nanotecnologias, nanomedicina, medicina translacional, quântica e relativista, a importância dos alimentos orgânicos, da homeopatia e da acupuntura na medicina sustentável. Nossos objetivos são divulgar a aplicação da física, química e biologia quântica como fator de equilíbrio entre as pessoas e o meio ambiente, focando na medicina, nutrição , agricultura e ciência dos alimentos e também estimular a produção orgânica e controle de pragas por métodos naturais, relata o médico Wanderson Machado Carvalho, organizador do simpósio e palestrante.

“Há uma mudança de paradigmas na sociedade e na medicina depois da descoberta da ciência quântica e relativista, deixando para traz a ciência determinista e mecanicista. O mundo quântico e seu nanomundo, o mundo da escala de 10 a 100 nanômetros, vem revolucionando toda a ciência mundial, a medicina e a agricultura não ficaram para traz nesta escala. Nesta realidade podemos solucionar problemas de saúde, ambientais , de uma forma nova, que precisa ser divulgada para toda a sociedade, por isso estamos fazendo este simpósio, que pretende atingir formadores de opinião para que estas informações possam ser disseminadas e que beneficiem um número maior de pessoas,”, fala Wandserson.

O especialista fala ainda que ser saudável, calmo, inteligente e viver com alegria é possível e a ciência quântica vem nos revelando que somos capazes de mudar a nossa realidade. “ É o meio ambiente e as nossas escolhas que são os grandes responsáveis pelas nossas doenças ou pela nossa saúde,um pensamento negativo pode mudar um núcleo atômico de um átomo e as partículas subatômicas deste átomo, podem ficar alteradas, um câncer pode surgir, por uma alteração de um estado mental. Tristeza, raiva, ódio, medo e insegurança, podem alterar o comportamento das partículas subatômicas e gerar, no indivíduo, um estado de desequilíbrio e, este, deixar o organismo predisposto para gerar um câncer de alto nível de agressividade”, conclui o médico.

O simpósio é promovido pela organização Intercâmbio Científico e a Ascesme (Associação dos Comerciantes Estabelecidos no Mercado Municipal de Curitiba), e é aberto ao público em geral, educadores, responsáveis e estudantes da área de saúde como: biomedicina, medicina natural, medicina, fisioterapia, enfermagem, nutrição, psicologia e outras terapias em geral; farmácia, bioquímica, biofísica e áreas relacionadas à alimentação (engenharia, biologia).


SERVIÇO

1º Simpósio Paranaense de Biofísica Quântica e Ciência dos Alimentos
Dia 12 de Novembro de 2011.
Horário: 8:30 às 18:00

Local: Mercado Municipal de Curitiba
Informações: (41) 3363-3764
www.intercambiocientifico.com.br
Inscrições:
www.mercadomunicipaldecuritiba.com.br

EIMA 8: Economia verde e a sustentabilidade nos negócios

Encontro reúne líderes e especialistas ibero-americanos para debater as mudanças necessárias no modelo econômico para um futuro sustentável

Espaço privilegiado para o debate de grandes temas da atualidade, desta vez o auditório da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, está servindo de palco para se esmiuçar o principal dilema da humanidade neste início de século: as transformações necessárias no modelo econômico para garantir trabalho, habitação, educação, saúde e outros direitos fundamentais aos 7 bilhões de habitantes da Terra.

O Encontro Ibero-Americano sobre Desenvolvimento Sustentável (EIMA 8), organizado pela fundação espanhola Conama, converteu-se num espaço de troca de ideias, experiências e construção de sinergias para o desenvolvimento de projetos e negócios entre parceiros públicos, privados e organizações da sociedade civil. De acordo com Gonzalo Echagüe, presidente da Fundación Conama, o cenário global é de uma economia sem limites atuando num mundo com recursos finitos. “Isso não pode seguir assim. É preciso dar respostas às demandas do cotidiano dentro dos limites impostos pela natureza”, explica Echagüe.

Os debates, que se iniciaram nesta segunda-feira, 17/10, e vão até o dia 20/10, estão possibilitando a troca de experiências entre diversos países, principalmente em relação a modelos de gestão e de produção que já demonstram potencial de aplicação mais ampla. Isso é importante porque, segundo o economista Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia da FGV, as mudanças de modelo e a redução de impactos ambientais dependem muito fortemente de uma participação internacional. Nakano acredita que o Brasil pode desempenhar um papel importante nessa transição, principalmente por conta da multiplicidade de recursos disponíveis no país, que vão do potencial hidrelétrico às reservas do pré-sal, mas também pela capacidade de ganhos com as mudanças nos processos de produção. “Temos hoje 300 milhões de hectares de pastagens e cerca de metade disso pode ser convertido para a agricultura, com ganhos substanciais para a sociedade brasileira e para o país”, destaca.

Já no primeiro dia de debates, a construção de conhecimentos em sustentabilidade avançou muito. Para Denise Hamu, nova representante no Brasil do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), é importante perceber que o mundo mudou e que a economia que se desenvolveu no século XX não serve para o futuro. Ela explica que o Pnuma realizou um estudo sobre a economia verde que servirá como base dos debates da Rio+20, (a conferência da ONU sobre desenvolvimento que se realizará em 2012, no Rio de Janeiro). E aponta dez setores estratégicos para que as mudanças econômicas ganhem escala: agricultura, energia, construção civil, pesca, florestas, manufaturas, turismo, transportes, resíduos e saneamento. Hamu explica que as mudanças podem ser feitas com um investimento de apenas 2% do PIB global por ano, “muito menos do que se gasta com a crise financeira global”. Ela reafirma que há necessidade de investimentos objetivos em inovação, pesquisa, ciência e tecnologia, além de uma mudança da cultura empresarial e das pessoas.

De maneira geral, há alguns consensos em relação aos objetivos de uma economia verde. As disparidades aparecem na hora de estabelecer os modelos e as prioridades. No setor público, por exemplo, a economia verde ainda é vista como uma política ambiental, e não como uma demanda de planejamento econômico, social e ambiental. Isso fica claro quando, para debater a construção de uma economia sustentável, tanto o governador paulista, Geraldo Alckmin, como o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, designaram como representantes seus respectivos secretários de Meio Ambiente, Bruno Covas e Eduardo Jorge. Em sua participação nos debates, ambos apresentaram as principais políticas ambientais das duas administrações.

Ainda há, portanto, uma lacuna perceptível para que o tema sustentabilidade assuma um papel transversal na construção de políticas públicas. E isso é importante porque, segundo Caio Magri, gerente executivo de Políticas Públicas do Instituto Ethos, a mudança de modelo econômico precisa ser sinalizada por meio de políticas públicas que apontem para o enfrentamento da pobreza e a redução das desigualdades e que contenham claramente uma dimensão ética.

Para Magri, a governança pública é fator estratégico. No entanto, ele afirma que é preciso a articulação de novos polos de governança, na medida em que alguns setores estão assumindo proporções não imaginadas em relação à sociedade e aos Estados. Ele aponta que recente pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que as 50 maiores corporações privadas do mundo têm faturamento maior do que 150 países e que as três maiores entre elas movimentam mais dinheiro do que o PIB do Brasil. “A própria Petrobras tem um faturamento anual maior do que o PIB da Argentina”, ressalta Magri. Diante desse quadro, e das instabilidades dos mercados financeiros globais, Magri acredita que a evolução do processo econômico passará por um choque de transparência, com o enfrentamento da evasão de riquezas dos países e mais transparência nos fluxos internacionais de capitais. “Esta é uma questão estrutural”, afirma.

Também no setor privado a capacidade de mudar vem sendo questionada. Mas algumas experiências mostram que as transformações têm um movimento difícil de ser impedido. O jornalista e consultor Ricardo Voltolini, autor de um livro sobre liderança sustentável, explica que há três fontes de pressão para a mudança nas empresas: a primeira é a escassez de recursos, que redesenha o mercado; a segunda é a pressão regulatória, em que as leis obrigam a mudar; e a terceira é a pressão do consumidor e da sociedade. Ele lembra uma frase de Peter Senge, conferencista sênior do Massachusetts Institute of Technology (MIT), que diz que a economia está no “fim da bolha industrial”, na qual extrair, produzir e descartar foi a base desde a revolução industrial. Mas alerta: “Ainda estamos mais próximos da economia clássica do que de um modelo mais sustentável de produção e consumo”.

Voltolini acredita que a inovação no setor empresarial pode ser um forte aliado das transformações necessárias. No entanto, para que isso tenha uma escala com capacidade de impacto, “é preciso investir na formação de lideranças com capacidades diferentes das tradicionais”. E afirma que um dos gargalos importantes são as escolas de administração e de negócios, “as quais ainda preparam líderes que são avaliados pelas métricas convencionais de sucesso”. Para ele, é necessário apontar novos valores na liderança empresarial, caso contrário “estaremos sempre com um discurso desvinculado das práticas”.

As transformações propostas pela economia verde são de múltiplos enfoques. No entanto, com a crise que assola os mercados e, especialmente, os países europeus, há quem defenda que essa nova economia é também uma saída para a crise existencial do capitalismo. Para Luis Jiménez Herrero, diretor executivo do Observatório de Sustentabilidade da Espanha, é preciso estabelecer um modelo de desenvolvimento que não ignore que os recursos naturais são finitos e no qual externalidades como poluição, desmatamento ou emissão de gases estufa não sejam tratadas como irrelevantes na contabilidade empresarial. “O capitalismo tem sofrido inúmeras transformações ao longo das décadas e agora está novamente diante de limites para sua atuação”, afirma. Herrero acredita que o desenvolvimento de um modelo econômico com uma métrica diferente, assim como está no documento do Pnuma sobre economia verde, é um caminho para a reinvenção do capitalismo em crise.

Uma crise que, segundo Nelton Friederich, diretor de Meio Ambiente da Itaipu Binacional, se manifesta em alguns dados simples, como o fato de as 270 pessoas mais ricas entre os 7 bilhões de habitantes do planeta terem mais dinheiro do que a soma das posses dos 2,1 bilhões de pessoas mais pobres. Para ele é preciso desenvolver uma economia de menor impacto ambiental e de maior valor social e, para isso, é preciso formar profissionais que saiam das universidades imbuídos desses novos valores. “Quantas são as universidades brasileiras que formam para essa nova economia?”, pergunta. Friederich afirma que é necessário que os governos, a sociedade e as empresas tenham uma visão sistêmica dos processos econômicos e assumam uma responsabilidade compartilhada em relação às transformações necessárias.

De certa forma, essa é também a visão de Ana Leiva, diretora da Fundación Biodiversidad, ligada ao Ministério de Meio Ambiente da Espanha, para quem a integração dos custos do capital natural à formação de preços dos produtos é uma questão vital. Ela defende que se pode contabilizar importantes avanços desde a conferência de cúpula Rio-92, que no ano que vem completa 20 anos e será objeto de uma nova avaliação. Leiva ataca com firmeza dois mitos que atrapalham as mudanças: o primeiro é que a proteção do meio ambiente é um entrave para o desenvolvimento; e o segundo é que apenas os países ricos podem se dar ao luxo de proteger seus ecossistemas. Para ela não há essa contraposição e a preservação ambiental, quando incluída nos processos econômicos, pode representar um novo campo de oportunidades para os negócios e para a melhoria do bem-estar humano.


Por Dal Marcondes (Envolverde), para o Instituto Ethos

Reunião ABRAPS SUL - 24/10 - EBS Curitiba - 18:30 - SAIBA MAIS!



domingo, 16 de outubro de 2011

A energia que vem do vento

Energia eólica deixa de ser uma utopia quixotesca e começa a mostrar que pode competir feito gente grande num mercado dominado por lobbies.

A transformação da economia para processos de baixo carbono depende principalmente da substituição dos combustíveis fósseis por fontes limpas para geração de eletricidade. A energia dos ventos já assumiu a liderança dessa transição. Imagem síntese da economia verde, as pás eólicas estão produzindo, também no Brasil, energia mais barata que as novas hidrelétricas ou qualquer usina térmica. Contraponto ao pesadelo das mudanças climáticas, a expansão em larga escala do uso do vento carrega os anseios do desenvolvimento sustentável, ao promover inovação tecnológica para produzir energia, bons empregos verdes e mitigação do aquecimento global.

Passando ao largo das crises, a participação do vento na matriz mundial cresceu quase 32 vezes em 15 anos. Alimentou esse crescimento vigoroso o alerta do Painel Internacional de Mudanças Climáticas (IPCC) sobre a contribuição da atividade humana ao aquecimento da Terra – particularmente o uso de carvão mineral na geração de eletricidade. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reagiu com uma previsão: “A nação que liderar em energias limpas será a líder da economia global”. Mesmo com as crises, nos últimos três anos os americanos mais do que dobraram seu parque gerador eólico, chegando a 40,2 GW (gigawatts). Do outro lado do mundo, a China tomou fôlego de dragão e desde 2005 multiplicou a potência eólica 55 vezes. Só no ano passado, instalou 16,5 GW – mais do que uma Itaipu ou metade das novas usinas eólicas de todo o planeta –, chegando à liderança mundial, com 42,3 GW.

Essa aposta contribui para o rápido desenvolvimento de uma tecnologia que é um seguro contra o aquecimento global, com a vantagem de fornecer energia abundante para manter o crescimento econômico. A nova fronteira dessa corrida é o Brasil, que tem ventos para instalação de usinas com capacidade para gerar 300 GW, de acordo com o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, que está sendo atualizado pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), entidade vinculada à Eletrobrás.

Começa agora a arrancada brasileira para se destacar do “resto do mundo”, grupo em que figura na radiografia da capacidade instalada produzida pelo Conselho Global da Energia Eólica (GWEC – fórum que representa 1500 organizações de 80 países). Apenas em junho deste ano, o país alcançou a marca de 1 GW instalado, ou 0,7% de sua geração elétrica.

O que alimenta as turbinas é a queda do preço nos leilões de energia realizados em agosto pelo governo federal. A eólica ficou com metade dos lotes – quase 2 GW – oferecendo preço médio mais barato do que o da fonte hidrelétrica, pouco abaixo dos R$ 100 o MW/h. O volume é considerado o grande impulso que faltava para dar escala ao setor, com usinas contratadas nos últimos três anos para operar principalmente no Nordeste e no Sul do país. “Nosso desafio imediato é instalar a geração de 6 gigawatts até 2014”, afirmou Ricardo Simões, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEólica), na abertura do Brasil Windpower, grande fórum do setor realizado no início de setembro, no Rio de Janeiro.

A queda de preço é consequência de maturação dos investimentos nos anos recentes, ganhos de escala e competição global que levam ao alinhamento com os mercados internacionais. “É difícil que tantos investidores experientes tenham feito contas erradas para participar do leilão”, disse Luiz Pescarmona, presidente da Impsa, que atua em 30 países como fornecedora de equipamentos e investidora em projetos de geração. “A cadeia de suprimentos vai ter melhor eficiência”, avaliou.

Existem usinas de variados tamanhos e tecnologias em constante aprimoramento, que não alteram ecossistemas e exigem no máximo um terço do tempo que a obra de uma hidrelétrica – com seus inevitáveis impactos ambientais – demanda para começar a funcionar. Faz sentido, também, a análise que atribui essa aceleração à crise internacional, que reduziu encomendas nos países ricos levando a uma corrida aos emergentes.

Estão previstos investimentos de US$ 25 bilhões para geração eólica já contratada no Brasil até o final de 2013. Montadoras globais dominam a oferta de equipamentos aqui: a Suzlon (Índia), a Impsa (Argentina), a GE (EUA), a Wobben e a Siemens (Alemanha) já estão operando e em expansão; a Gamesa (Espanha) acaba de inaugurar uma planta na Bahia, onde também a Alstom (França) começará a operar no mês que vem. Também devem ampliar instalações a Vestas (Dinamarca) e a Führlander (Alemanha). São gigantes da tecnologia dos ventos liderando uma cadeia produtiva que procura se beneficiar do suporte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o maior financiador do setor. “O financiamento, que pode chegar a 80%, é proporcional ao índice de nacionalização do projeto”, garante Luís André Sá D’Oliveira, gerente de Infraestrutura do banco.

Atualmente, o índice de nacionalização dos equipamentos exigido está em 80%. No entanto, o presidente da Wobben, Pedro Vial, defende “60% de nacionalização, o mesmo que existe para a indústria naval e a petroleira”. Ele afirma que a empresa global já capacitou 1.600 colaboradores brasileiros – “mais de 400 com especialização na Alemanha” –, desde que se instalou aqui, há 15 anos. Hoje tem plantas em Sorocaba (SP), Pecém (CE) e Parazinho (RN). “Os fabricantes são players globais” – lembra – “e estão todos competindo em igualdade. O importante é evitar a concorrência predatória, inclusive pelos recursos humanos.”

O que os empreendedores mais querem é garantir a venda da energia eólica e encontram boa receptividade no governo. “Vamos estudar novos leilões exclusivos para fonte eólica”, disse Maurício Tolmasquim, o presidente da Empresa de Planejamento Energético (EPE), do Ministério das Minas e Energia.

Essa indústria de ponta tem deslocado perspectivas ao promover avanços tecnológicos em reposta às demandas do mercado. A Alstom, por exemplo, já tem protótipos de turbinas de até 6 GW – mais do que o triplo das maiores máquinas atualmente em linha de produção. A acelerada inovação alimenta a expectativa do presidente da Eólica Brasil, Marcello Storrer: “Com esses equipamentos, divide-se o custo de instalação praticamente por três”. Pioneira no país da modalidade off shore (plataformas localizadas no mar), a Eólica Brasil já obteve aprovação do governo para instalar no litoral do Ceará a Usina Marítima Asa Branca, gigante de 11,2 GW. Somente este megaprojeto dobra a capacidade de energia eólica prevista nos mais recentes estudos da EPE.

O Relatório Especial sobre Fontes de Energia Renováveis e Mitigação da Mudança Climática (SRREN, sigla em inglês),, divulgado pelo IPCC em junho, saúda “o significativo potencial da energia dos ventos para reduzir a emissão de gases de efeito estufa no médio prazo (2020) e no longo prazo (2050)”. Mas alerta que “políticas apropriadas continuam a desempenhar um papel significativo para a maior utilização da energia eólica”, tanto no mar quanto em terra. Um desafio que exige grande capacidade de governança para explorar potencialidades ainda limitadas pelo paradigma da produção de energia com intensa emissão de gases de efeito estufa.

Fonte: Sávio de Tarso (Envolverde), especial para o Instituto Ethos

sábado, 15 de outubro de 2011

Opinião: Papel do estado na gestão dos recursos hídricos

O poder público tem papel fundamental e precisa rever várias questões se quiser garantir o uso inteligente da água, que, mais do que um recurso natural, é também um produto com valor econômico que deve ser consumido com responsabilidade. Essa é a opinião do engenheiro agrônomo e doutor em Meio-Ambiente e Desenvolvimento, Cleverson Andreoli, que é gerente de pesquisa da Sanepar e professor do Curso de Mestrado em Organização e Desenvolvimento da FAE.

Como o Estado deve atuar para garantir o uso racional da água e outros recursos naturais?
Em relação ao meio-ambiente, o Estado deve exercer três papéis principais: o de fiscalizador, prestador de serviço e de indutor de desenvolvimento. Nesse último, ele deve funcionar como um instrumento político, oferecendo linhas de financiamento, assumindo mesmo o papel de indutor de desenvolvimento de forma pró-ativa.

O que falta, na sua opinião, para que esses papéis sejam cumpridos?
O Estado deve racionalizar os processos de forma mais ágil, a fim de promover um processo de gestão com um mínimo de burocracia. O Estado deve também funcionar como um agente articulador de harmonização das políticas públicas, implementando uma agenda permanente em cada órgão do Estado o trabalho e a preocupação na área de meio-ambiente. Também falta uma sistematização para concretizar essas ações para que elas sejam eficazes.
Também acredito que muitos governos utilizam a lei para penalizar os responsáveis por contaminação, gasto exagerado do recurso ou poluição. Acho que a penalização deveria ser trocada pelo estímulo. Como, por exemplo, oferecer incentivo fiscal para as construções com certificação ambiental, ou as atividades que trabalhem com recicláveis, entre outras iniciativas.

Quais são principais desafios e soluções na gestão dos recursos hídricos?
A água, ao mesmo tempo em que é um recurso natural, é também um bem de uso comum que pode ser chamado de recurso hídrico. A água ganha esse nome a partir do momento em que passa a ser valorada, se torna um produto com valor econômico. A maneira mais clara de verificar isso é a tarifa que cada um paga para receber a água em casa. O que existe no Brasil hoje é o uso inadequado desse produto e uma das razões para isso acontecer é porque a tarifa da água é extremamente barata. No entanto, apenas elevar a tarifa da água para estimular o uso correto, sem desperdício, não seria suficiente, já que qualquer reajuste para cima atingiria grande parte da população de baixa renda.
Para mostrar o quanto a tarifa da água é barata no Brasil, basta comparar: vamos dizer que o preço de dez toneladas de água é R$ 5,00, que é o mesmo valor de duas cervejas ou de dois litros de água mineral. Lembrando que a água que a pessoa recebe carrega o custo de saneamento, tratamento, distribuição e todo um sistema caríssimo custeado pelo sistema público. É, sem dúvida, necessário haver uma readequação da tarifa, mas que seja socialmente justa.
Se verificarmos em países da Europa, as pessoas sequer pensam em escovar os dentes com a torneira ligada, ou tomar banho de mais de 5 minutos. Tudo o que pode ser feito para economizar e reaproveitar a água é feito não apenas por consciência, mas porque a tarifa lá é caríssima. Não estou dizendo que temos que nos basear naquele modelo, mas que é necessário criar um que seja adequado à nossa realidade.

O que o estado deve fazer para que as leis ambientais possam ser cumpridas?
Outra necessidade de adaptação à realidade é equilibrar os standards da lei ambiental, tornando-os compatíveis com uma arrecadação que seja capaz de atingi-los. De nada adianta uma legislação extremamente exigente na área de saneamento e esgoto, por exemplo, se não há recursos disponíveis para realizá-los ou se a arrecadação é muito baixa, incapaz de arcar com essas exigências. Não estou dizendo que devemos afrouxar nossa legislação ambiental, de forma alguma, mas que ela seja readequada à nossa realidade, e que sejam criados programas de investimentos para tal. O governo americano, por exemplo, primeiro fez investimentos a fundo perdido na área ambiental, para só então endurecer a lei ambiental do país.

ENTREVISTA: Loïc Fauchon – Presidente do CMA – Conselho Mundial da Água

Loïc Fauchon participou da criação e do desenvolvimento do Conselho Mundial da Água. É membro do Conselho Mundial da Água, desde 2000, primeiramente como Conselheiro Especial do Presidente e do Vice-Presidente, e finalmente como presidente desde 2005. Atualmente, ele é o CEO do Groupe des Eaux de Marselha. Ele também passou grande parte da sua carreira profissional no sector público, na Prefeitura e no Conselho Regional, antes de se tornar diretor de Gabinete do Prefeito, e do Secretário Geral da Cidade de Marselha. Loïc Fauchon foi também presidente da Câmara Municipal de Trets durante 8 anos. Em 1977, criou a associação humanitária "Transahara", que organiza missões de ajuda de emergência e a assistência ao desenvolvimento na África Subsaariana e na Europa Oriental. É graduado pelo Instituto de Estudos Políticos e da Faculdade de Economia, Loïc Fauchon também tem um doutorado em Economia e Direito. Ele falou com exclusividade para a revista GERAÇÃO SUSTENTÁVEL, a entrevista teve a colaboração do Sr. Joseph Galiano Cônsul Honorário da França em Curitiba. (Contato e tradução: Eliane Luzia Kowalski Secretária da Agência Consular da França em Curitiba)

Como gerir melhor a água?
Convém mencionar que os dois primeiros indicadores geralmente citados hoje são: mais de 1,5 bilhões de pessoas não têm acesso a água limpa e praticamente duplica, ou seja, 2,5 bilhões não têm saneamento básico.
Um grande número de pessoas, dentro dessas necessidades, obviamente merece uma política estabelecida com duração e objetivos específicos. A água doce do planeta está presente em quantidades enormes, mas não necessariamente nos lugares onde as pessoas mais necessitam.
Sucessivamente vamos descobrindo os problemas que o homem criou ao longo do século passado: o crescimento demográfico muito rápido uma taxa de urbanização crescente e mudança climática são os fatores para o nosso frágil planeta e para a água, causados pelo homem.
Tudo isso vem criando, com a escassez e a poluição, portanto, tensão para controlar os recursos hídricos e valorizar a sua utilização.

O que é o CMA (Conselho Mundial da Água)?
Conselho Mundial da Água, com sede em Marselha desde 1996, tem aproximadamente 350 organizações e Estados-membros em mais de 60 países. Inclui 70 Estados e municípios, grandes organizações profissionais, bancos de apoio ao desenvolvimento, associações de comunidades locais, agências da ONU e um grande número de ONGs locais e internacionais.
Promover a implantação de uma politica mundial da água: essa é a razão de ser do Conselho mesmo nome criado em 1996. O Conselho: pretende criar a idéia de que não há desenvolvimento humano sem água e todos os gestores de todos devem registrar o seu controle e a sua distribuição como uma das principais prioridades para as próximas décadas. Daí o slogan "torneiras antes de armas" e manifestando essa maneira de forma particularmente forte.

No mês de novembro será realizado o V Fórum “Cultivando Água Boa” na cidade de Foz do Iguaçu no Brasil. Quais são as expectativas para este encontro?

O Fórum "Cultivando Água Boa” será um passo fundamental na preparação do 5º Fórum Mundial da Água. Irá tanto enriquecer a discussão do ponto de vista temático, como também ajudar a fornecer soluções ao nível local. Temos muito a aprender com os gestores da água na América Latina, incluindo o Brasil que é uma nação de água.

Quais são as principais diretrizes para a realização do V Fórum Mundial da Água na Turquia em março de 2009? Como são definidas as sessões temáticas para os debates?
O CMA organiza, de três em três anos, o Fórum Mundial da Água (Marrakech, em 1997, em Haye, em 2000, Kyoto, em 2003, México em 2006). Esses fóruns reúnem, inclusive, toda a “família de água” para se chegar a um consenso político e encontrar soluções concretas para as principais questões que estão sujeitas (finanças, direito à água, a gestão, o conhecimento, etc). Na Cidade do México, 20.000 participantes, cerca de 150 delegações ministeriais e 1.500 jornalistas estavam presentes.

Organizado com o governo turco, o próximo Fórum a ser realizado em Istambul de 16 a 22 de Março de 2009, são esperados 22.000 participantes, será o momento de soluções sobre temas tão essenciais como: a água e a energia, água e os alimentos, água e as alterações climáticas e assim por diante. A crise financeira e a situação econômica serão também centro das nossas reflexões.

Um dos maiores causadores de doenças no mundo é a contaminação da água potável. Como definir estratégias para promover a gestão da água e o acesso ao saneamento básico?
Sim, é verdade. A realidade é muitas vezes esquecida a ausência ou insuficiência de água potável mata dez vezes mais do que todos os conflitos armados. Doenças oriundas de água contaminada causam 25.000 mortes por ano, são, de longe, a principal causa de morte em todo o mundo. É preciso implantar uma política mundial da água e de saneamento. Este ano, 2008, é o Ano Internacional do Saneamento. É necessário aproveitar este período para chamar a atenção para o mundo fato de que um habitante do planeta, em cada dois, ainda não tem acesso a instalações sanitárias assegurando simultaneamente higiene e privacidade. Fazer o saneamento é uma prioridade e tanto um direito como um dever. Também não se deveria limitar um âmbito demasiadamente pequeno para o acesso a instalações sanitárias.

Á água é um bem finito e essencial para o ser humano tanto para as questões de consumo e produtivas, a sua escassez é um fato preocupante e que deve se intensificar cada vez mais. Na opinião do senhor, a água será considerada uma espécie de petróleo nas próximas décadas?
"Água é vida", dito em todas as línguas do mundo. "Tudo era água", dizem os hindus. "A água é "wou-ki"(o grande imponderável) ditado chinês. E no Alcorão, ele diz que "Deus criou todas as coisas a partir da água."
A água precisa de financiamentos ampliados e diversificados, de instituições democráticas e descentralizadas, com conhecimento adequado e barato. As causas são complexas, mas as soluções são simples. Elas solicitam que os homens e as mulheres reunir em volta da água para o diálogo. Existe uma necessidade urgente de uma diplomacia da água e um acordo de equilíbrio de grandes massas de águas continentais, a flexibilização dos conflitos fronteiriços e o reinvestimento preferencial para o domínio da água.
Sob estas condições, a causa da água avança. Esta questão necessita de forma rápida e que permite uma longa aceleração de eficiência e de desenvolvimento de uma estratégia global com uma hidropolítica através da afirmação de uma verdadeira responsabilidade coletiva. A "Água é Paz" e a paz não tem preço, e tem uma valor inestimável. Juntos, podemos construí-la.

Que mensagem final o senhor gostaria de deixar aos leitores da Revista GERAÇÃO SUSTENTÁVEL?
A água é um motivo de utilidade pública mundial e isso inclui a sua reorganização. A causa global pública significa prioridade absoluta para a água, o ar e a energia renovável. É sobre este tripé, e só sobre ele, que pode centrar-se a nossa capacidade futura de desenvolvimento, de alimentação, de saúde, de educação, são os três fatores essenciais para uma convivência pacífica entre os povos.

Os desafios e soluções para evitar a escassez da água

Iniciativas públicas e privadas investem em programas para reverter o problema

A vida depende da água para existir na Terra. Essa lição toda criança aprende na escola. No entanto, parece que o valor que cada um deveria dar a esse bem da humanidade não parece ter sido bem compreendido. Isso fica claro quando se vê o desperdício em simples atos como o escovar os dentes com torneiras ligadas. O elemento que está no cotidiano das pessoas deveria mesmo ser tratado como rara e preciosa jóia. Pode até parecer exagero, mas se cada um parar para analisar os números da disponibilidade da água pode começar a entender porque não apenas ambientalistas, mas empresários e gestores de todo o mundo passaram a soar o alarme da escassez da água e dos conseqüentes problemas ambientais e sociais. É a consciência sobre a proximidade de uma possível catástrofe anunciada que fez com que setores diferenciados, públicos e privados passassem a encarar o problema de frente e trazer soluções.

Cerca de 75% do Planeta é formado de água. Mas o que pode parecer muito, na realidade, é muito pouco. Afinal, 97% de toda a água do Planeta é salgada e apenas 3% serve para consumo. Conforme dados Agência Nacional de Águas (ANA), dessa parcela de água para consumo, pelo menos 68,9% estão em áreas de geleira ou neve permanente, 29,9% está depositada em áreas subterrâneas, 0,9% em pântanos e geleiras flutuantes e apenas 0,3% em rios e lagos. E é somente essa pequena fatia, realmente acessível ao homem para consumo, que fica dividida em 70% para a agricultura, 20% para as indústrias e 10% para o abastecimento público da população.

Para agravar a situação, observa-se que o consumo da água vem aumentando de forma desenfreada. De acordo com divulgação de órgãos especializados na pesquisa ambiental e consumo, no século XX, o consumo da água multiplicou-se por seis – duas vezes a taxa do crescimento demográfico mundial.

No entanto, o principal problema não é o aumento do consumo da água, mas principalmente o mau uso desse recurso natural. O ser humano, ao utilizar a água, na maioria das vezes, acaba destruindo e desperdiçando o precioso líquido. Na realidade, as principais causas da degradação ambiental são os padrões inadequados e insustentáveis de produção e consumo.

A agricultura fica com a maior parte da água para o consumo, mas o aumento de áreas agricultáveis e a contaminação de lençóis subterrâneos, pelo uso inadequado de agro-químicos, têm trazido prejuízos extremos. A indústria, que consome 20% da água disponível, também tem contribuído de forma negativa. Muitos processos industriais utilizam a água como matéria-prima ou como recursos para o resfriamento e limpeza de maquinário. O quadro fica ainda pior quando há lançamento de efluentes e resíduos industriais em rios sem tratamento adequado. Este procedimento tem trazido problemas às comunidades vizinhas, além de sérios impactos ambientais.

O consumo humano, pela rede pública, também apresenta suas dificuldades. Atualmente 1 bilhão de pessoas não tem acesso a água potável e em torno de 40% da população mundial não têm acesso a saneamento básico. Estes fatores aumentam diretamente os índices de contaminação e de doenças. O problema também não está apenas ligado ao aumento do consumo pelo crescimento da população, mas principalmente ao mau uso. É este fator que mais contribui para a redução da água disponível.

Hoje, 250 milhões de pessoas em 26 países sofrem escassez crônica de água, e prevê-se que em 2025 serão 3,5 bilhões de pessoas em 52 países nessa situação. Ou seja, à medida que a escassez da água avança, passa a ser uma questão de segurança e de defesa da Nação. A responsabilidade é ainda maior para os países considerados fontes hídricas – como o Brasil, que detém 53% da água doce da América Latina e 12% do total mundial. O que significa que é mais que uma obrigação cuidar e saber distribuir o que ao brasileiro pertence.


Do insustentável para a sustentabilidade

Depois de verificar esse cenário pavoroso, nada melhor do que saber que há muita gente trabalhando de forma exemplar para reverter essa situação. Em todo país, um dos programas de maior destaque é, sem dúvida, o Cultivando Água Boa, realizado pela Itaipu Binacional, reconhecido como a iniciativa ambiental mais completa do setor elétrico brasileiro e premiado internacionalmente.

Criado em 2003, o Cultivando Água Boa compreende hoje 21 programas e 64 ações em desenvolvimento na região de influência da usina de Itaipu – a Bacia Hidrográfica do Rio Paraná 3, com área de aproximadamente 8.000 km2 e mais de 1 milhão de habitantes, distribuídos em 28 municípios do oeste do Paraná mais Mundo Novo, no Mato Grosso do Sul. O projeto se responsabiliza pela proteção das matas e da biodiversidade, e pela promoção da educação ambiental nas comunidades do entorno.

O projeto é definido pela equipe da Itaipu como um libelo de esperança para uma sociedade que vê os resultados do seu comportamento ameaçar a própria sobrevivência; que se vê diante de seus próprios limites e vulnerabilidades, e começa a reconhecer o quanto é interdependente. É uma resposta local à problemática global da mudança climática, do esgotamento de recursos naturais, deterioração e escassez de água e alimentos, fome, pobreza, exclusão social, poluição ambiental e desmatamento.
Para o diretor de Meio Ambiente da Itaipu Binacional, Nelton Miguel Friedrich, o Cultivando é um projeto de sucesso porque “trabalha de uma maneira sistêmica, ou seja, não trabalha apenas os aspectos ambientais, mas também atitudes e comportamentos, que por sua vez resultam em novas relações do homem com o seu meio, com suas formas de produzir e consumir. Nesse sentido, essa visão sistêmica fica expressa desde a adequação quanto à atuação por bacia hidrográfica quanto ao amplo processo do porquê fazer as ações ambientais e, a partir daí, efetivamente executá-las”, explica. Outra característica forte do Cultivando Água Boa é a conquista do envolvimento da sociedade do entorno da Itaipu. “O envolvimento da população é fundamental, porque não se transforma uma realidade ou um território sem agir com os atores que vivem e convivem nele”, analisa Friedrich.

Ele explica que o projeto conseguiu reunir atores sociais da Bacia Hidrográfica do Paraná 3, públicos, privados, a sociedade civil organizada, os empresários, as representações civis das mais diversas classes sociais e categorias profissionais, e também o meio acadêmico. “Assim, foi formando ao redor de cada tema , conforme as competências, as motivações e os interesses desses atores sociais os chamados comitês gestores. A partir desse momento, o efetivo planejamento e a efetiva condução dos programas e ações têm na sua governança a participação real da sociedade. Por isso se tornam legítimos e conseguem construir a sustentabilidade”, explica.

O Cultivando Água Boa ganha destaque na questão do investimento em educação e sensibilização da população para as questões ambientais. “Na verdade, no Cultivando Água Boa o processo se concentra principalmente na compreensão do porquê mudar, do porquê agir. Por exemplo, não se trata simplesmente de plantar uma árvore, mas compreender por que se deve plantar uma árvore. Então a sociedade, hoje, consegue interpretar a problemática global, como o aquecimento global e suas conseqüências, a problemática do próprio ser humano, a biodiversidade, a produtividade, as mudanças climáticas, e consegue conectar isso com os passivos ambientais e os modos de ser e produzir, enfim, a relação que a sociedade tem com o seu meio”, avalia o diretor de meio-ambiente.

“Nesse sentido, a educação que se faz tanto nas escolas como na microbacia junto à comunidade, se faz em todos os processos, seja na exposição de uma palestra, seja na própria ação. Por isso que é um processo de “educ-ação”, que, dentro do Cultivando Água Boa, já formou mais de 255 educadores ambientais – agentes que, por meio de um processo circular e de mandala, hoje já envolve perto de 3 mil pessoas na Bacia do Paraná 3, sem citar outros processos educativos do programa e apoios a projetos educacionais específicos nos mais diversos níveis, formais ou informais”, lembra Friedrich.

No final do mês de novembro, todos os participantes do programa Cultivando Água Boa encontram-se para um processo de avaliação, capacitação e planejamento das ações que irão acontecer no futuro. O Cultivando Água Boa está agora em seu quinto encontro, que é precedido por 29 pré-encontros que se realizam em cada município da Bacia do Paraná 3. “É um momento de reflexão, avaliação, correção de rumos quando necessário, reenergização, recapacitação, muita informação e, especialmente, de projeção do que virá a ser feito e de um grande pacto em torno disso”, conta o diretor.


Outorga da ANA

Uma forma que o governo federal encontrou para resolver problemas de distribuição da água pelo país, resolvendo problemas sócio-ambientais, foi utilizar a outorga de direito de uso da água. Esse é um dos principais instrumentos da política nacional de recursos hídricos, instituída pela nº Lei 9.433/97, por meio do qual o poder público autoriza o usuário de água, sob condições preestabelecidas, a utilizar ou realizar interferências hidráulicas nos recursos hídricos necessários à sua atividade, garantindo o direito de acesso a esses recursos e tendo em conta que a água é um bem de domínio público.

Os rios e lagos que banham mais de uma unidade da federação ou país e as águas armazenadas em reservatórios de propriedade federal são de domínio da União. Nestes casos, a outorga é emitida pela Agência Nacional de Águas (ANA). Os demais rios, lagos, reservatórios e as águas subterrâneas, são de domínio estadual ou distrital, sendo a outorga emitida pela respectiva autoridade outorgante.

A água pode ter diversas finalidades e esses usos podem ser concorrentes, gerando conflitos entre setores usuários ou mesmo impactos ambientais. “Neste sentido, é necessário gerir e regular os recursos hídricos, acomodando as demandas econômicas, sociais e ambientais por água em níveis sustentáveis, para permitir a convivência dos usos atuais e futuros da água sem conflitos”, explica o diretor-presidente da ANA, José Machado. Para ele, a outorga é fundamental já que é capaz de ordenar e regularizar o uso da água, bem como realizar o controle quantitativo e qualitativo dos usos desse o recurso.

É isso o que faz a ANA: regula o uso de um bem público: a água. A agência atua em diversas frentes, notadamente na realização de cadastro de usuários e na resolução de conflitos pelo uso da água em diversos pontos do País.
Machado cita alguns exemplos para mostrar a importância do trabalho realizado pela agência. Ele conta que havia um sério conflito pelo uso das águas da bacia do Rio Piracicaba entre a população da própria bacia (cerca de 4 milhões de habitantes) e a da Região Metropolitana de São Paulo (cerca de 18 milhões de habitantes). Parcela significativa do abastecimento da capital paulista é suprida com água da bacia do Rio Piracicaba, por meio do Sistema Cantareira (transposição de águas da bacia, por meio de reservatórios e túneis até a Região Metropolitana de São Paulo). Tal intervenção hidráulica na bacia era desprovida de critérios de uso da água que contemplassem as necessidades da população local.

A ANA então definiu critérios técnicos operacionais e de outorga e de estruturação de articulação institucional, envolvendo os órgãos gestores de recursos hídricos de São Paulo e de Minas Gerais (a bacia do Piracicaba tem suas nascentes no Estado), o Comitê da Bacia do Piracicaba e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). “Essa ação reguladora da agência ocorreu em 2004 e vem operando até hoje com eficiência e sem o surgimento de novos conflitos pela água”, afirma.
“Portanto, a outorga é um instrumento disciplinador, que busca o ordenamento dos usos e usuários de água dentro de uma bacia hidrográfica, de modo a evitar conflitos e a garantir o múltiplo uso das águas, sua acessibilidade, sustentabilidade e racionalidade”, explica Machado.


Paraná deve ganhar o IPAGUAS

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), responsável por levar água tratada aos lares do estado, pretende mudar a Lei de Recursos Hídricos do Estado. De acordo com informações da assessoria de imprensa da Companhia, estuda-se uma lei que extingue a Suderhsa, responsável pela gestão de recursos hídricos no Paraná, e propõe a criação do Instituto Paranaense das Águas – IPAGUAS - cujas funções, além das atribuições atuais da Suderhsa, atuará como órgão regulador e fiscalizador do Setor de Saneamento.
A Lei que criará o IPAGUAS também alterará alguns artigos da Lei Estadual nº12.726/99, sobre o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Com relação a cobrança pelo uso da água no Estado do Paraná, estima-se que 5,5 milhões de reais/ano serão arrecadados pelo Comitê do Alto Iguaçu, Bacia que atende Curitiba e Região Metropolitana, recursos estes provenientes da Sanepar (aproximadamente 74% do total arrecadado na Bacia). Em todo Estado, estima-se a cobrança de 17 milhões de reais/ano da Sanepar. Com as mudanças, a Sanepar espera melhorar seus serviços de coleta e tratamento de esgoto, tratamento e distribuição da água, adequando a legislação à realidade do estado.

Além dos serviços básicos de saneamento, a companhia participa e investe em inúmeros projetos de recuperação de mata ciliar, gestão de resíduos, entre outras iniciativas que acabam resultando em benefícios para o abastecimento. Entre as principais obras da entidade, destacam-se as que estão sendo realizadas na área de saneamento com investimentos do Governo Federal, por meio do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). De acordo com a Sanepar, as obras têm beneficiado cerca de 15 mil famílias de ocupações irregulares em Curitiba, Piraquara, Pinhais, Colombo e Campo Magro. Um dos projetos contemplados com estes recursos é o do Jardim Guarituba, situado no município de Piraquara, onde está concentrada a maior ocupação irregular do Estado. Neste local está sendo implantado entre outros projetos, os serviços de saneamento (água e esgoto) e projetos sociais voltados a geração de renda.

Tarifa Social – A Sanepar também mantém o programa de Tarifa Social, que atende cerca de 1 milhão e 280 mil pessoas em todo o Estado, o que representa R$ 57 milhões ao ano. Os beneficiados pagam uma tarifa fixa de R$ 5,00 para água e R$ 2,50 para o esgoto. São beneficiados clientes que residem em imóveis com até 70 metros quadrados, com consumo mensal de água de até 10 m3 e cuja renda da família residente no imóvel é de até meio salário mínimo por pessoa ou de, no máximo, dois salários mínimos por família, vigente na data de solicitação do benefício.

=================================================



Fonte: Matéria publicada originalmente da revista Geração Sustentável
Jornalista: Juliana Sartori

Acesse aqui a versão digital (page-flip) dessa matéria

Entrevista: LoïC Fauchon (Presidente do CMA - Conselho Mundial da água)

Artigo: Cleverson Andreolli - O Papel do Estado na gestão dos recursos hídricos.