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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Gestão de Resíduos - Edição 30

Compostagem abre portas no país

Responsabilidade ambiental é principal motivo para disseminação de composteiras pelo Brasil

Jornalista Lyane Martinelli

A consciência de investir em formas mais inteligentes e seguras de destinação de lixo é um dos principais motivos para a aposta na utilização de composteiras de lixo orgânico. A Lei nº 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Controle de Resíduos Sólidos, busca formalizar com os diversos setores da sociedade civil a sua responsabilidade quanto ao gerenciamento e à gestão dos resíduos sólidos. Com essa decisão do governo federal, grandes nomes do setor industrial brasileiro estão buscando soluções de compostagem para a destinação de seus resíduos orgânicos que antes tinham como destino lixões e aterros sanitários. Mais que apenas realizar o cumprimento da lei, o uso das composteiras vem sendo incorporado a novas posturas socioambientais desses grupos empresariais, que colocam a responsabilidade ambiental como pilar em busca de um modelo sustentável de atuação.

Eficientes para diversos perfis, sejam eles familiares, empresariais, de condomínios ou escolas, o uso das composteiras vem mostrando como é possível dar novas e melhores destinações àquilo que é descartado. No último ano, o uso de desses equipamentos no Brasil vem crescendo exponencialmente. A JORABrasil, empresa representante exclusiva da marca sueca JORAForm, pioneira na produção de composteiras, vem ampliando seu fornecimento desses equipamentos pelo país. “A partir do momento que, dentro das definições da lei, a compostagem é reconhecida como um meio de destinação final ambientalmente correta, penso que a discussão e interesse relacionados ao tema tenham aumentado muito”, comenta Eduardo Schreiber, diretor comercial da JORABrasil.

Empresas de grande porte no país, como Embraer e Vale, estão entre as que vêm aderindo ao uso de equipamentos específicos para a decomposição de lixo orgânico. “Isso demonstra que já existe grande preocupação, principalmente em empresas que são referência no que fazem, em ter soluções ambientalmente corretas, independentemente dos resíduos que elas estejam gerando”, comenta Schreiber. Hoje, as composteiras já estão em todos os estados das regiões Sul e Sudeste, além de um grande número de equipamentos no nordeste. “Além das grandes empresas, temos exemplos de entidades menores que também vêm apostando nessa ideia. É o caso do Condomínio Joinville Country Club, onde o adubo produzido em uma composteira automática é utilizado nos campos de golfe. Outro caso é o da Escola Municipal Hermann Müller, também em Joinville, na qual os alunos fazem a compostagem em uma composteira manual e utilizam o adubo produzido em uma horta orgânica”, comemora.

Hoje, fazendo parte de um perfil específico na sociedade, o uso de composteiras está no caminho para se tornar uma solução importante para aqueles que têm incorporada a consciência ambiental. “Ao adotar um sistema de compostagem, a empresa tem o controle total do processo, garantindo que todos os seus resíduos orgânicos tenham destinação final ambientalmente correta. Além disso, a implantação de um equipamento como esse abre possibilidade de realizar diversos projetos, como a participação de colaboradores na produção de hortaliças orgânicas, aulas de educação ambiental com funcionários, sua família ou a comunidade que está no entorno da empresa, utilizando o composto para produzir mudas, promover ações ambientais ou simplesmente deixar os jardins da empresa mais bonitos. Um equipamento desse torna muito mais visível o comprometimento da empresa com o meio ambiente, pois ela está transformando algo que era tratado como “lixo” em alimento para a natureza”, define Schreiber.

Em um futuro próximo

O uso de composteiras no Brasil, apesar de crescente, ainda é tímido se comparado  ao uso aplicado em países menores e com menor população. Mas, como faz parte de todo um processo de mudança de consciência, os pequenos passos são importantes para a ampliação desse caminho. “No Brasil, a destinação de resíduos ainda tem um preço relativamente baixo, porém sem qualidade. Além disso, existem ações não muito adequadas de destinação final de resíduos orgânicos, como a utilização de resíduos para alimentação animal, sem o devido controle e higiene, por exemplo. Por outro lado, é possível notar o crescente interesse na compostagem por empresas que realmente estão comprometidas com soluções ambientalmente corretas”, explica Schreiber.

Entretanto, por ser um processo simples e de custo relativamente baixo, a JORABrasil pretende triplicar o número de composteiras instaladas no país nos próximos 18 meses. “O equipamento não requer grande demanda de mão de obra, o consumo elétrico é muito baixo e o processo, devido a controles de revolução e aeração, é muito higiênico. Além disso, o uso de composteiras diminui os gastos com armazenamento, transporte e descarte dos resíduos. Todos esses são fatores que nos fazem visualizar um futuro promissor para a utilização desses equipamentos no país”, define.

As vantagens

O uso de composteiras é fácil e requer um treinamento simples, que pode ser enquadrado nas atividades cotidianas da empresa. “As composteiras JORABrasil transformam facilmente os resíduos orgânicos em um rico adubo e o equipamento é instalado muito próximo ao local onde os resíduos são gerados, dispensando gastos desnecessários com armazenamento em câmaras frias, transporte e destinação dos resíduos orgânicos a aterros, por exemplo. O processo é adequado a todos os tipos de resíduos orgânicos de cozinha, inclusive carnes, queijos ou cascas de frutas cítricas, por exemplo. Os resíduos são adicionados na composteira assim que gerados, evitando o seu acúmulo em locais que podem atrair animais indesejados”, explica.

Em curto prazo, a instalação desses equipamentos garante o cumprimento da lei pelas empresas, pois seus resíduos estão sendo tratados adequadamente, e não descartados de forma inapropriada por terceiros. O que poderia causar diversos danos ao meio ambiente ou à saúde pública. Mas a médio e longo prazos, mais que cumprir suas obrigações, a empresa que aposta no uso de composteiras pode fazer cálculos de retornos financeiros efetivos com a utilização do material. “Ainda há o enorme retorno do reconhecimento da marca vinculado a ações ambientalmente corretas, bem como a possibilidade de potencializar isso com projetos que envolvam colaboradores, clientes ou a sociedade”, comenta Schreiber.

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